A Folha de Similaridade (Similarity Data Sheet) foi padronizada na publicação da 2ª. edição da norma EI 1582 com três objetivos bastante claros:
- Garantir que a performance de filtração de um vaso separador atenda aos requisitos mínimos previstos na norma EI 1581 atualmente na 6ª. edição;
- Reduzir o número de testes de laboratório que comprovem a eficiência de vasos similares;
- Permitir a intercambialidade segura entre diferentes fabricantes de elementos filtrantes.
Portanto, durante o processo de similaridade, as características do vaso candidato serão avaliadas segundo a última edição de cada norma EI (Energy Institute), especialmente no que se refere aos requisitos técnicos mínimos que garantem a performance de filtração prevista em norma.
A Folha de Similaridade é considerada um componente importante no pacote de documentos que garantem o controle de qualidade e compliance do sistema de filtração dos PAAs (postos de abastecimentos de aeronaves).
Ela deve ser fornecida pelo fabricante do filtro (ou seu representante local) e deve estar arquivada junto dos demais documentos no aeroporto / terminal onde o vaso estiver operando.
Uma folha de similaridade deve ser emitida sempre que:
- Um vaso estiver operando com elementos de marca diferente do fabricante original, ou seja, se um vaso do fabricante A estiver operando com elementos do fabricante B ou C;
- A vazão e/ou características do vaso sejam modificadas através do tamponamento ou abertura de adaptadores com a inclusão ou retirada de elementos;
- Uma nova versão das normas EI sejam publicadas e impliquem nesta avaliação.
A solicitação da folha de similaridade deve ser feita pelo cliente ao fornecedor do elemento através de formulário próprio que evidencie a marca e modelo do filtro em questão.
Por vezes se faz necessário a abertura do filtro para obtenção de dimensões e características construtivas, especialmente nos vasos antigos ou de fabricação desconhecida.
Apenas vasos separadores são passíveis de similaridade, os vasos monitores e filtros micrônicos não recebem o mesmo tipo de tratamento e as informações deste texto se aplicam, regra geral, aos vasos da categoria C (comercial), tipo S.
A folha de similaridade, como um componente importante do controle de qualidade nas instalações de filtração de combustíveis de aviação, comprova o alcance da performance mínima do filtro com base em normas EI.
Porém, para que um filtro obtenha a qualificação via similaridade, alguns requisitos são obrigatórios.
Vejamos, portanto, os principais requisitos de aprovação:
– Espaçamento entre elementos: o vaso candidato deve ter diâmetro suficiente e geometria de montagem que garanta um espaçamento mínimo igual ou maior ao espaçamento do vaso testado em laboratório, quando se mede o espaço entre um elemento e outro (coalescedor x coalescedor, coalescedor x separador e separador x separador), bem como quando se mede a distância de qualquer elemento à parede interna do vaso. Na maioria dos vasos tipo C essa distância mínima é de 1/4″ (6,35 mm), mas pode variar em função do vaso testado.
– Posição das conexões de entrada e saída: as conexões de entrada e saída do vaso filtro candidato devem estar abaixo do deck de instalação dos elementos (no caso do modelo vertical) ou junto da câmara lateral externa (no modelo horizontal), devidamente alinhadas ao fluxo dos elementos filtrantes (fora para dentro / dentro para fora).
– Drenagem positiva: o modelo vertical deve ter fundo inclinado, cônico ou torisférico, com a conexão de drenagem instalada no ponto mais baixo do vaso; o modelo horizontal deve possuir bota (poço) de drenagem e conexão em seu ponto mais baixo.
– Razão geométrica: existe uma razão geométrica pré-determinada na norma que relaciona as principais variáveis dimensionais do vaso (diâmetro, comprimento, aérea e volume com/sem elementos), essas razões são calculadas na folha de similaridade e devem atender aos requisitos que garantem o desempenho seguro dos elementos.
Por vezes, durante a análise do vaso candidato, se recomenda algum ajuste na vazão máxima de operação, incluindo ou retirando elementos filtrantes, de forma que a razão geométrica e a velocidade de fluxo não prejudiquem a performance mínima esperada do filtro.
Além dos tópicos acima, cabe destacar que o atendimento aos requisitos mínimos da 3ª.Ed. da norma EI 1596 exige também que o vaso candidato tenha:
- a) pintura interna epóxi (se fabricado em aço-carbono);
- b) suportes internos de elementos que garantam a equalização elétrica, a estabilização e o distanciamento (spider plate);
- c) eliminador de ar automático com válvula de retenção;
- d) válvula de segurança e alívio;
- e) manômetro diferencial de pressão de leitura direta;
- f) conexões de retirada de amostra na entrada e saída do vaso;
- g) conexão de inspeção e limpeza (ou tampa de abertura total);
- h) placas de identificação e etiquetas de troca dos elementos;
- i) ausência de material amarelo em contato com o combustível;
- j) aterramento.
Alguns dos requisitos obrigatórios listados acima não são encontrados em vasos antigos com mais de 30 anos, o que cria um desafio adicional aos revendedores de combustíveis de aviação.
O texto deste artigo não esgota o tema, portanto, recomendamos contactar a nossa equipe técnica comercial sempre que necessário.
Referências:
- EI 1582 Specification for similarity for EI 1581 aviation jet fuel filter/separators – 2nd Ed, 2011.
- EI Specification 1581 Specifications and laboratory qualification procedures for aviation fuel filter/water separators – 6th Ed, 2016.
- EI Specification 1596 Design and construction of aviation fuel filter vessels – 3rd Ed, 2019.
- EI = Energy Intitute (energyinst.org)
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